Quando o cateterismo é indicado
O cateterismo não é um exame de rotina: ele é indicado quando existe suspeita concreta de doença nas coronárias ou quando um exame anterior levantou essa dúvida. As situações mais comuns são:
- Angina — dor, aperto ou queimação no peito que aparece aos esforços e melhora com repouso.
- Teste ergométrico, cintilografia ou ecocardiograma de estresse alterados, sugerindo falta de sangue no músculo cardíaco (isquemia).
- Angiotomografia de coronárias mostrando lesão significativa ou de difícil interpretação.
- Infarto agudo do miocárdio ou síndrome coronariana aguda — nesse caso, em caráter de urgência.
- Avaliação de doenças valvares ou preparo para cirurgia cardíaca.
- Insuficiência cardíaca de causa ainda não esclarecida.
Como o exame é feito, passo a passo
- Você chega ao hospital em jejum, geralmente de 6 a 8 horas, e recebe um acesso venoso no braço.
- Na sala de hemodinâmica, a pele do pulso (ou da virilha) é anestesiada localmente. Você fica acordado durante todo o exame, com sedação leve para conforto.
- Um cateter fino é introduzido pela artéria e guiado até o coração, acompanhado por raio-X em tempo real. Esse trajeto não dói — não existem terminações nervosas de dor dentro das artérias.
- Um contraste iodado é injetado e as artérias aparecem na tela. É comum sentir um calor passageiro pelo corpo nesse momento.
- O cardiologista analisa as imagens e mede o grau de obstrução de cada vaso.
Sempre que possível, o acesso é feito pelo pulso (via radial). Comparada à punção pela virilha, a via radial reduz o risco de sangramento, permite que o paciente se levante mais cedo e costuma resultar em alta hospitalar mais rápida.
Quanto tempo dura e como é a recuperação
O exame diagnóstico em si costuma durar entre 20 e 40 minutos. Contando preparo e observação, o dia no hospital gira em torno de 4 a 6 horas na maioria dos casos não complicados.
Após o procedimento pela via radial, um curativo compressivo fica no pulso por algumas horas. A orientação habitual é evitar esforço com o braço puncionado por alguns dias, beber bastante água para eliminar o contraste e retomar as atividades leves em 24 a 48 horas. As orientações individuais sempre prevalecem sobre qualquer texto geral.
E se o exame encontrar uma obstrução?
Em muitos casos, a angioplastia com implante de stent pode ser realizada na mesma sessão, logo após o diagnóstico — o chamado procedimento ad hoc. Isso evita uma segunda punção e uma segunda internação.
Em outras situações, a melhor conduta é o tratamento com medicamentos. E, em parte dos casos de doença de múltiplos vasos, sobretudo em diabéticos, a cirurgia de revascularização ainda é uma opção a considerar — embora os avanços recentes da cardiologia intervencionista, com novos materiais e o auxílio da imagem intravascular (IVUS e OCT), já permitam tratar por cateter até os casos mais complexos e desafiadores.
A decisão leva em conta o número de vasos doentes, a localização das lesões, a função do coração, a presença de diabetes e a sua condição clínica geral. Ela é discutida com você e com sua família antes de qualquer passo.