Como é a dor da angina

A angina típica tem um padrão característico:

  • Localização: no meio do peito, atrás do osso do esterno. Raramente é uma dor em ponta que se aponta com um dedo.
  • Qualidade: aperto, peso, queimação ou opressão — muitos pacientes descrevem como “um peso em cima do peito”.
  • Gatilho: aparece com esforço físico, estresse emocional, frio intenso ou após refeições volumosas.
  • Alívio: melhora em poucos minutos com o repouso.
  • Irradiação: pode se estender ao braço esquerdo, ombro, pescoço, mandíbula ou costas.

Dores que duram segundos, que pioram ao apertar o peito com o dedo ou que mudam com a respiração geralmente não são de origem coronariana — mas essa distinção deve ser feita por um médico, não pelo próprio paciente.

Angina estável e angina instável

Na angina estável, o sintoma tem um padrão previsível: sempre com o mesmo nível de esforço, com a mesma intensidade e melhorando com repouso. É uma situação crônica que exige avaliação, mas não é uma emergência imediata.

Na angina instável, o padrão muda: a dor aparece com esforços cada vez menores, ou em repouso, ou fica mais intensa e prolongada. Isso é uma emergência médica e exige atendimento hospitalar imediato, pois pode preceder um infarto.

O que é a obstrução coronária

As coronárias são as artérias que irrigam o próprio músculo do coração. Ao longo dos anos, placas de gordura (aterosclerose) se depositam em suas paredes e reduzem progressivamente o calibre do vaso.

Enquanto a obstrução é discreta, o fluxo em repouso permanece adequado e não há sintomas. Quando o estreitamento se torna importante, o sangue basta para o repouso mas não para o esforço — e aí surge a angina. Se uma placa se rompe e um coágulo fecha a artéria de forma súbita, ocorre o infarto.

Os principais fatores que aceleram esse processo são tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol LDL elevado, obesidade, sedentarismo e histórico familiar.

Como se investiga e como se trata

A investigação costuma começar por eletrocardiograma e exames que provocam esforço controlado (teste ergométrico, cintilografia miocárdica, ecocardiograma de estresse) ou pela angiotomografia de coronárias. Quando esses exames indicam isquemia significativa, o cateterismo cardíaco define a anatomia com precisão.

O tratamento tem três pilares que se somam:

  1. Mudança de hábitos — parar de fumar, atividade física regular, alimentação adequada, controle do peso.
  2. Medicamentos — antiagregantes, estatinas, betabloqueadores, controle rigoroso de pressão e glicemia.
  3. Revascularizaçãoangioplastia com stent ou cirurgia de revascularização, quando indicadas. Com os materiais atuais e a orientação por imagem intravascular, a angioplastia hoje resolve por cateter casos que antes exigiam cirurgia.

É importante entender que o stent alivia a isquemia e trata a lesão, mas quem muda a história natural da doença no longo prazo são os dois primeiros pilares.